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A Revolta de Atlas

Ayn Rand, nascida em São Petersburgo, na Rússia, em 2 de fevereiro de 1905. De origem Judia, procurou disfarçar sua herança étnica, temendo que pudesse ser prejudicada pelo anti-semitismo. Filha de um dono de farmácia chamado Zinovy, teve reforçada a antipatia pelo comunismo que a acompanharia por toda a vida quando o estabelecimento comercial de seu pai foi convertido em propriedade estatal dos bolcheviques vitoriosos na revolução de 1917. Graduada em 1924 pela Universidade de Petrogrado, onde estudou filosofia e história. Autoexilou-se nos Estados Unidos em 1926.

Ayn Rand escreveu dois livros: Fontainhead (A Nascente em 1943) e o livro que iremos falar agora, Atlas Shrugged (A Revolta de Atlas) publicado recentemente pela editora Sextante.

A Revolta de Atlas é um romance volumoso e mais político, classificado por muitos como a obra prima da ficção da autora, devido ao enorme sucesso nos Estados Unidos. Segundo alguns é o livro mais vendido nos E.U.A. depois da Bíblia Sagrada. Reflexão? Sim, os livros de Ayn Rand não são livros para serem simplesmente lidos e só. São livros (três volumes) que evocam reflexões filosóficas. Obras em que seus personagens são projeções de homens ideais, representações de ideais éticos e filosóficos, muitas vezes totalmente desconhecida entre nós.

A filosofia do objetivismo pode ser resumida em quatro princípios básicos: a) a realidade objetiva existe, independente da observação do homem; b) a razão é o único meio de o homem apreender o real; c) cada indivíduo é um fim em si mesmo, não devendo sacrificar suas vidas por outros, nem sacrificar os outros por si; d) o capitalismo é o único sistema moral capaz de garantir as liberdades políticas econômicas e individuais. Ela trata o romance como um meio para expor a sua visão de mundo.

Muito se tem falado a respeito de Ayn Rand como a inspiradora de uma dissidência da direita republicana nos E.U.A., Tea Party. Sobre essa questão quem poderia falar algo a respeito foi um dos seus grandes seguidores Allan Greenspann. Em seu livro “A Era da Turbulência” o capítulo reservado aos economistas, Allan Greespan comenta sobre a influência de Ayn Rand sobre suas ideias políticas.

Rand nos mostra em “A Revolta de Atlas” que a liberdade da sociedade americana é responsável por suas maiores conquistas. No século XIX, os inventores e empresários criaram uma onda de inovações que elevaram o padrão de vida a níveis sem precedentes e mudou para sempre a maneira como as pessoas vivem.

A autora, que pesquisou exaustivamente a história do capitalismo, estava bem consciente dos progressos realizados durante o século XIX, este período de liberdade econômica e de grandes invenções, como: o telégrafo - um dispositivo melhorado mais tarde por Thomas Edison, que propiciou a invenção do fonógrafo; a luz elétrica e do projetor do cinema, entre outros.

Esses exemplos nos mostram que o caminho mais curto para se obter sucesso empresarial é ir ao encontro das demandas pré-existentes. E para que esse sucesso seja alcançado, a liberdade econômica é fundamental. Criar uma nova demanda exigem um certo grau de risco, mas é exatamente por esse caminho que Steve Jobs, Bill Gates e tantos outros se sobressaem. Visionários são líderes fundamentais para o sucesso empresarial nos dias de hoje, eu diria não apenas para o sucesso, mas para a sobrevivência num mundo cada vez mais dinâmico e acelerado. Inovar é preciso, pensar de forma diferente também, nem que para isso você tenha que remar contra a maré.

Ayn Rand argumenta que só a liberdade econômica permite que os grandes pensadores coloquem em prática as idéias e métodos novos. Mas o que aconteceria se a liberdade econômica fosse perdida? A Revolta de Atlas fornece os meios para responder a essa pergunta. A autora levanta uma questão intrigante: o que aconteceria ao mundo se todos cientistas, os pesquisadores médicos, inventores, empresários, escritores, artistas, e intelectuais responsáveis pelos avanços científicos abandonassem o mundo. A resposta é que o mundo entraria em colapso. Em A Revolta de Atlas, Ayn Rand apresenta, pela primeira vez  de uma forma dramatizada, sua filosofia original.

Ela sustenta em seu livro que a razão – não a fé ou emoção - é o único meio de o homem adquirir conhecimentos. Sua filosofia é individualista, afirmando que o objetivo do governo é proteger o direito soberano dos indivíduos. Essa filosofia se opõe a noção coletivista de uma sociedade como um todo seja superior ao indivíduo, que deve subordinar-se às suas necessidades. No âmbito político e econômico, o objetivismo defende o lassez Faire – um sistema de livre mercado que legalmente impede o governo de restringir as atividades produtivas do homem – como o único sistema filosófico que protege a liberdade da mente humana.

"A revolta de Atlas” se incia com uma pergunta logo em sua primeira página: quem é John Galt?”. Ayn Rand apresenta esse personagem com proporções épicas. Ela afirmou que o objetivo de sua escrita foi a apresentação de um ideal de homem, e esse objetivo é alcançado - na figura de John Galt.

A história ocorre nos Estados Unidos em um tempo futuro indeterminado. O país está em uma espiral econômica descendente, com empresas fechando e os homens fora do trabalho. Outros países do mundo se tornaram miseráveis Repúblicas populares socialistas. O nacionalismo americano confisca empresas lucrativas em nome do “grande bem comum”. A crise agrava-se.

Um certo grau de liberdade econômica ainda existe na América, mas está em constante declínio. Os bem-sucedidos são fortemente tributados para ajudar os pobres e os norte-americanos pobres são igualmente cobradas para o financiamento das pessoas ainda mais pobres em Povos estrangeiros membros.

O resultado é o surgimento de empresários corruptos que buscam lucro através da manipulação de políticos corruptos ao invés de fazer um trabalho produtivo. O governo obriga os inventores a desistir de suas patentes. Da mesma forma, o governo rompe  com as empresas produtivas, obrigando-as a partilhar o mercado com o mais fraco (menos eficiente).

Em resumo, o universo ficcional de “A Revolta de Atlas” apresenta um futuro no qual a tendência dos EUA em direção a um estado socialista.  Os vilões em “A Revolta de Atlas”evitam racionalidade e a produção, buscando a sobrevivência,  saqueando os produtores. O governo anula os direitos dos cidadãos americanos, e a liberdade está em constante erosão. Os Estados Unidos do romance - o último bastião de liberdade na terra - rapidamente se torna uma ditadura fascista ou comunista. Os vilões em a “Revolta de Atlas” evitam racionalidade e a produção, buscando a sobrevivência, saqueando os que realmente produzem Os vilões tentam viver pela força bruta e não pela razão.

E a pergunta que é o ponto de partida de toda história e que permeia parte do livro se repete como um refrão: - Afinal, quem é John Galt? A questão invocando o seu nome dá uma lendária qualidade para o seu personagem, como se ele fosse, em parte, um ser mitológico. O que faz John Galt único é o seu método de usar a sua mente - seu compromisso inabalável com os fatos, mesmo que sejam desagradáveis, dolorosas ou assustadoras. Ele funciona de forma racional, mantendo uma fidelidade inabalável à realidade.

Por mais que haja diferenças ideológicas entre um leitor ou outro com a autora, considero esse livro altamente recomendável. Uma autora que nos faz pensar.


Data: 08 agosto 2016 (Atualizado: 08 de agosto de 2016) | Tags: Romance, Filosofia


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A Revolta de Atlas
autor: Ayn Rand
editora: Sextante
tradutor: Paulo Henriques Britto

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